quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Dívidas de Mauro mostram que perfil “empresário de sucesso” é estelionato eleitoral

Lamentável para ele, pior para Cuiabá…

O pedido de recuperação judicial, por dívidas de R$ 100 milhões, das empresas do prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB) é a prova – não perfunctória, mas inequívoca – de que a sua imagem de empresário de sucesso vendidas nas eleições de 2008, 2010 e 2012 não passou de estelionato eleitoral.

Vejam só. O Brasil todo acusa a presidente Dilma Rousseff (PT) de ter mentido na campanha eleitoral por dizer que não mexeria em direitos sociais e impostos para os mais pobres. Com a crise política e econômica, não pensou duas vezes em lançar mãos desses mecanismos.

Nas eleições municipais passadas, Cuiabá elegeu um cidadão, que se apresentou como empresário de sucesso e muito bem sucedido, rico, que gosta de posar nas colunas sociais. Causou frison na high society baladeira da cidade ao fazer uma megafesta “milionária” de 15 anos para sua filha, com direito a atores globais e toda a pompa.

Construiu uma mansão – dizem, as más línguas, a maior  do Condomínio Alphaville – com seis terrenos no metro quadrado fechado mais caro da Capital. Aparece em fotos em iate em Angra dos Reis e tudo mais.

Na campanha, garantiu que implantaria na Prefeitura de Cuiabá, um “ritmo empresarial”. Prometeu pagar até 14º salário para os servidores. E que a cidade estaria livre do perfil politiqueiro e bairrista, como todo sempre por essas bandas…
 
O que se viu, no entanto, são as mesmas práticas. Tem uma base na Câmara formada por vereadores que se vendem por carguinhos, pouquíssimas obras relevantes para cidade, desvalorização dos servidores. Ou seja, uma gestão pífia, em todas as áreas, principalmente transporte público, saúde e infraestrutura. 

Nesse ínterim, vieram à tona várias denúncias que mostram práticas nada republicanas nos negócios. É investigado pela Operação Ararath. Isso porque o milionário empresário Mauro Mendes lançou mão, nas campanhas eleitorais de 2008, 2010 e 2012, de recursos do empresário Júnior Mendonça, delator do esquema de lavagem de dinheiro desbaratado pela Polícia Federal.

A PF acredita que Mauro pagou um empréstimo feito por Mauro com o agiota Mendonça, no valor de R$ 3,4 milhões nas eleições passadas, e pagou com um contrato emergencial firmado, após eleito, pela Prefeitura com a Amazônia Petróleo.

É alvo de uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), acusado de participar de um esquema que teria fraudado em até R$ 700 milhões o leilão de uma mineradora, realizado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso.

Também foi envolvido, pela Corregedoria do mesmo TRT, no processo administrativo que gerou a aposentadoria compulsória da juíza Carla Reita Faria Leal, esposa de seu ex-sócio, Pascoal Santullo Neto, que hoje tem chave de, nada menos, do que os cofres da Prefeitura de Cuiabá.

Segundo o TRT, Mauro arrematou uma cobertura de luxo na Praça Popular leiloado pelo TRT com o objetivo de, depois, repassá-lo à magistrada, para burlar a vedação que ela teria de disputar o imóvel. Ela acabou sendo aposentada compulsoriamente.

Também tem o episódio do cheque sustado, no valor de R$ 1 milhão a um posto de Cuiabá, durante as eleições de 2010, sorrateiramente deixado de lado pela Justiça Eleitoral de Mato Grosso. O mesmo com a licitação fraudulenta, vencida pelo seu sócio, o empresário Wanderley Torres, da Trimec Construções, que venceu um aluguel de máquinas pesadas no valor de R$ 9 milhões.

Isso É Notícia mostrou, à época, que participaram da licitação empresas de fachada que funcionavam, pasme, no mesmo endereço! Empresas de papelaria disputaram aluguel de tratores e tudo isso, lamentavelmente, foi ignorado por todos os órgãos fiscalizadores.

Convenhamos, com essa ficha corrida, e com a divulgação do vídeo da compra de um partido no segundo turno das eleições de 2008, só um eleitorado xucro como o de Cuiabá para acreditar que haveria algo de novo.

Agora, vem à tona, que o “empresário bem sucedido” que administra a Capital, na verdade, está falido, afogado em dívidas de R$ 100 milhões e investigações judiciais. Infelizmente, Mato Grosso está cheio de empresários que se esbaldam em incentivos fiscais, estão a frente de entidades classistas, estão na política, levam vidas de milionários e, mesmo assim, estão atolados em dívidas com fornecedores, com o Estado, com seus funcionários, e envolvidos em denúncias de corrupção

Além disso tudo, Mauro ainda se acha um “xerifão”. Desde que assumiu o cargo de prefeito se prestou a processar jornalistas que não rezam sob sua cartilha, incluindo o editor deste blog. Até agora, a Justiça não tem dado guarida à sua tresloucada investida contra quem joga luz sob suas sombras. Infelizmente, sua distância da realidade o faz não conseguir distinguir crimes contra a honra com opinião e jornalismo investigativo sério.