sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Medium.com: Aberto o processo de impeachment de Dilma. Mas, e o do Alckmin?

Não sejamos ingênuos: o governador Geraldo Alckmin não vai cair. Pelo menos não com uma Assembleia Legislativa composta por uma gigantesca base de apoio ao governo estadual, de partidos reacionários como DEM até pseudo-esquerdistas como o PPS. Em um mundo justo e realista, as ações tomadas pelo governador já se consideraria motivo suficiente para que tais partidos tomassem decisões drásticas sobre manter-se em um governo que aponta armas para adolescentes. Mas não estamos em um mundo — ou melhor, em um estado justo e realista. Estamos no Tucanistão.
Ou seja, por vias legais o governador dificilmente será atingido. De qualquer forma, sua imagem tem sido preservada ao máximo pela mídia tradicional, que exibe sem cansaço a figura do secretário da Educação, Herman Voorwald, como o idealista do projeto de reorganização. O governador só apareceu recentemente para fazer aquilo que ele mais sabe: defender as ações truculentas da Polícia Militar. Ironias da vida: os policiais militares tiveram na gestão de Geraldo Alckmin os piores anos no sentido de direitos e trabalhista nas últimas quatro décadas. Aumento de 0% na folha de pagamento, rechaço contra possibilidade de greves, entre outros.
A única via provável de queda de Alckmin é através das ruas. E para as ruas devermos ir, ao lado dos secundaristas, mas sem tirar seu belo protagonismo já exibido em nível internacional, recebendo recente apoio do sociólogo marxista David Harvey.
Mas por que Geraldo Alckmin não merece mais ser o governador de São Paulo?

 Primeira tragédia
O anunciado projeto de reorganização do ensino, que fechará mais de 90 escolas ao redor de todo o Estado e mudará a vida de mais de 300 mil estudantes, foi decretado sob a bandeira de um possível novo modelo de ensino, que tem como objetivo melhorar a qualidade e o nível escolar do estado, colocando alunos em escolas de ciclo único.
Como argumento de defesa contra um possível revés político, a Secretaria da Educação informou que todos os alunos serão enviados para escolas com no máximo 1 quilômetro de distância de suas casas.
Claro, o governo não levou em conta o valor de pertencimento que o aluno, estudante do colégio desde a primeira série, tem com o local, professores, funcionários e demais colegas. Existe para o aluno que terá sua escolha fechada algo sentimental que os políticos do alto escalão tucano provavelmente não entendem — ou simplesmente ignoram. A escola, assim como seu local de trabalho, é onde você passa praticamente a maior parte do seu dia. As pessoas que você encontra todos os 5 dias da semana, as conversas nos corredores, o futebol na quadra, o tio da cantina, a tia inspetora que não deixa você ficar 5 minutos a mais fora da sala de aula durante o intervalo. Ou até mesmo aquele professor mais zoeiro, que fica no seu pé o dia inteiro, brincando com seu novo corte de cabelo.
Ignorando esse sentimento, existe a impressão de que o projeto de reorganização do ensino não quer melhorar a qualidade da Educação no estado, e sim criar robôs. Máquinas programadas para fazer o que foi dito, separadas em níveis diferentes. Mas calma, tudo isso é só impressão. Se fosse realmente um projeto focado na melhoria ou mudanças estruturais na área educacional do Estado, pelo menos o mínimo diálogo teria sido feito. E não foi.
Os alunos, professores e pais não foram sequer consultados. É a mesma coisa que você, locatário de um imóvel no qual você mora faz 8 anos com sua família, tendo uma convivência diária com seus vizinhos do bairro, ficar sabendo através de uma notificação ou por terceiros que sua casa será transformada em um salão de eventos, e você tem até tal dia para sair de lá. Mas calma, a casa onde você viu seus filhos crescer vai ser trocada por outra, só que umas oito quadras acima. Coisa pequena, meia hora andando a pé apenas.
Tudo indica claramente que o projeto de reorganização do ensino na realidade foi um plano de fachada para economizar gastos no caixa do governo estadual. E isso é grave. Não porque o governador resolveu cortar gastos — o que é preocupante, mas não indica má índole. É grave pois o governador mentiu sobre tudo isso, utilizando da máquina do Estado para propagar a reorganização como algo positivo e que tem como foco apenas melhorar o ensino de nossos filhos, quando na realidade foi apenas uma pasta escolhida para cortar gastos e suprimir as necessidades do governo.
Trata-se de uma mentira. E pior: ele ainda insiste nela, se utilizando do dinheiro público para criar e vincular propagandas de TV e rádio sobre o que é o projeto. É uma farsa, amigos.
Isso já é o bastante para ele cair. Alckmin maquiou um pacote de austeridade, simulando um projeto de educação que não existe. Não consultou a população, e sim empresários e economistas. Diz que os prédios das escolas que serão fechadas continuarão servindo para a educação pública, sendo que o governador Mário Covas (PSDB) prometeu o mesmo nos anos 90. E olha lá: a E.E. Caetano de Campos, na Aclimação, que teve sua creche desmontada pelo projeto dos anos 90, assiste faz mais de 20 anos o espaço antigamente utilizada para cuidar e educar nossos filhos mais novos completamente abandonado, com uma mata gigante no entorno do prédio. Curioso mesmo é que a E.E. Caetano de Campos terá o ciclo fundamental excluído pelo novo projeto de reorganização.

Mas calma. A parte mais grave ainda está por vir. 

Nenhum comentário: