sexta-feira, 10 de março de 2017

CRISE: Hotéis fecham as portas em Cuiabá e quem decidiu continuar no ramo, tenta se reinventar para não ter o mesmo fim.

Dois anos após a Copa do Mundo Fifa no Brasil, em que Cuiabá foi uma das cidades-sede, a rede hoteleira da capital enfrenta queda no número de hóspedes e luta para valer o investimento feito para o mundial. Para acomodar os visitantes durante a copa, o número de leitos em Cuiabá e Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, saltou de 8,5 mil para 17 mil. No evento, a ocupação chegou a 80% da capacidade da rede hoteleira. Agora, porém, o número não chega a 50%.
Só em 2016, dois hotéis em Cuiabá fecharam as portas. Quem decidiu continuar no ramo, tenta se reinventar para não ter o mesmo fim. Há 20 anos no mercado da rede hoteleira, a empresária Rosana Bortoleti diz nunca ter enfrentado uma crise como esta. Para ampliar seu estabelecimento e se preparar para a copa ela realizou um empréstimo de R$ 3 milhões. O hotel passou de 40 para 75 leitos.
“A taxa de ocupação depois da copa despencou. Hoje eu tenho inovar. Criei uma sala de eventos, tentei melhorar o atendimento, mas, ainda assim, está difícil pagar as contas”, afirmou. A taxa de ocupação tem sido menor que 50% o que, segundo a empresária, tem sido um desafio. “Com um número menor que 40% é inviável manter as portas abertas”, completou.
Quando a taxa de ocupação já não cobre mais as despesas fixas, a alternativa é mudar de ramo. Foi o que fez a empresária Ana Lúcia Machado. Ela transformou o hotel, construído para abrigar os turistas durante o mundial, em consultórios médicos. E o novo empreendimento tem superado as expectativas. “Estamos tendo bastante movimento, bastante procura de médicos que querem atender aqui”, afirmou.
Quem decidiu ficar no ramo e enfrentar a crise, busca alternativa para reduzir custo, sem perder a qualidade. As compras coletivas têm sido uma das estratégias.
“É uma alternativa muito viável, porque às vezes o frete para trazer produtos de fora do estado é grande. Em uma compra coletiva, a gente pode barganhar esse valor”, explicou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira de Mato Grosso, Bruno Delcaro.

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